Familia e Amigos

A mudança e a adaptação

A minha mãe esteve de férias uma semaninha e regressa hoje a casa. Sabe tão bem estar em casa sozinha. Eu e a minha irmã, a Di, ficamos em casa as duas sossegadinhas e sem stress e eu gostei. Não que não goste da minha mãe e do meu irmão pequenote, o Guigo, adoro-os mas já não estou habituada  a tanta confusão.
Na minha casa vivem 5 pessoas e ainda vem hoje a avó do Guigo ajudar à festa.
Parece que estou a ser má. Eu sei, mas não interpretem mal. Eu adoro a minha família, gosto das reuniões familiares, dos almoços de domingo e das brincadeiras mas acho que me habituei a viver sozinha.
Seis anos a morar na Covilhã e a vir a casa só ao fim-de-semana fizeram-me gostar do silêncio e do sossego, que é coisa que não há nesta casa, com um irmão de 7 anos e a restante família a ajudar.
Estes anos fora fizeram-me perceber que há coisas erradas nesta casa (do meu ponto de vista), como em todas as casas (penso eu) mas tentar mudar alguma coisa não adianta porque isto já é um ciclo complexo, e no fundo a minha mãe sempre se desenrascou assim e eu nunca dei conta de nada. Foi o facto de ter morado sozinha que me abriu os olhos. E estou sempre sujeita a ouvir a minha mãe dizer “quando tiveres a tua casa faz como bem entenderes, aqui sujeitas-te ao que eu faço”, pois e às vezes até mereço ouvir destas, porque ela tem razão, afinal a casa é dela e o sistema é dela, quem tem de se orientar é ela, não eu.
Depois também há o facto de fazer o que quero às horas que quero sem ninguém ter nada a ver com isso. Comia quando queria,  limpava quando queria, dormia quando queria, saia quando queria etc, etc, etc. Claro que agora isso não é assim.  Não era antes de eu ir estudar para fora e continua sem ser.
Acho que me habituei a não ser controlada e não dar satisfações a ninguém. E a minha mãe nem é daquelas que andam, sempre em cima de nós. Basicamente deixa-nos fazer o que queremos. Mas são as perguntas, onde estas? o que estas a fazer? ja fizes-te isto ou aquilo? A que horas vais? A que horas vens? Não é para me controlar, que eu sei que não é, mas às vezes chateia-me o blá, blá, blá.
Eu sei que ela e o resto da família não fazem por mal e se eu digo coisas que não devo também não é por mal mas simplesmente foi muito tempo longe e agora faz confusão, comecei a gostar de ter o meu espaço e o meu cantinho e as minhas coisas (sem ninguém mexer nelas) em sossego e paz e aqui em casa é uma confusão todos os dias. eheh
Não pensem que eu sou doida que estou na casa da minha mãe e sou uma mal agradecida porque não é nada assim, simplesmente as pessoas mudam os seus hábitos, eu quando fui para a Covilhã chorava todos os dias porque me sentia sozinha. Passados seis anos já não sei viver com tanta gente. É assim, as coisas acontecem assim e faz parte, mais tarde ou mais cedo toda a gente sente necessidade de ir embora da casa dos pais e eu estou preparadíssima para ir.
E não fui só eu que mudei… Não senhor, a minha mãe está desejosa que eu mude logo de casa (isto dito assim até parece mal), é ela que diz que já não está habituada a ter-me em casa e até se oferece para me ajudar a escolher uma casa nova e fala com colegas de trabalho que estão a mudar de casa e tudo (que empenho para me ver na rua, ihihih). Ora, eu não estou habituada a ela e ela não está habituada a mim e dai surgem as nossas “birras” e amuanços uma com a outra. O que vale é que ela passou pelo mesmo que eu pois também viveu sozinha e depois voltou para casa da mãe e por isso sabe que é mesmo assim.
Ambas sabemos o que cada uma de nós pensa e não levamos a mal. Entendemo-nos bem à nossa maneira e lá vamos mandando umas bocas na brincadeira que é um bocado a serio. Como ela dizer-me “não vejo a hora de te ires embora” e eu dizer-lhe: “no dia que for choras porque sabes que já não volto” e etc etc etc…
E as pessoas que nos criticam, como já fizeram, a dizer que eu ou a minha mãe somos más: “onde é que já se viu uma mãe querer que a filha saia de casa” ou ” a tua mãe dá-te comida e roupa lavada e tu mal agradecida queres ir embora” que pensem primeiro na vida delas porque eu e a minha mãe percebemos e aceitamos a opinião uma da outra. É só à minha mãe que eu devo alguma explicação e a mim só me interessa se a minha mãe me entende, e felizmente ela entende muito bem. Por isso ambas estamos de consciência tranquila e bem uma com a outra em relação a este assunto portanto mais ninguém tem nada a ver com isso.
Isto só para tentar explicar que morar sozinha e depois voltar a casa dos pais não é uma boa ideia (apesar de no meu caso ser inevitável) e que há muita gente que não percebe esta nossa maneira de pensar mas é assim mesmo que as coisas acontecem. Vocês percebem ou também acham muito mal o nosso modo de lidar uma com a outra?
Te
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10 thoughts on “A mudança e a adaptação

  1. Eu compreendo-te perfeitamente 🙂
    Não há nada como ter o nosso cantinho.
    E quanto ao resto, cada familia tem particularidades que só a ela dizem respeito. Desde que no final tu e a tua mamy se entendam o resto não interessa nada.
    Beijinhos e espero que encontres a tua nova casinha num instante 🙂

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  2. Como te compreendo, o facto de viver sozinha tem as suas vantagens e depois quando voltamos novamente para a casa dos papas parece que já não fazemos parte dali. Sinceramente isso é um grande dilema quando acabar o curso, não sei se quero voltar para a casa dos papas, mas da maneira que a vida está o provável será voltar 🙂

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  3. Eu entendo bem. Muitas vezes tenho necessidade de ficar sozinha e não há um local em casa onde possa ir sem ninguém me incomodar mais cedo ou mais tarde. Por vezes é bom termos o nosso espaço, onde podemos gerir e fazer as coisas a nossa maneira. Em casa dos pais temos de fazer as coisas a maneira deles, porque afinal de contas a casa é deles.
    Tem paciência Te, tudo se vai resolver a seu tempo 🙂

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  4. Nem parece teu preocupada com aquilo que os outros pensam sobre ti.
    Tu e a tua mãe são iguaizinhas por isso entendem-se bem, não te preocupes com nada, depressa vais ter a tua casinha bem silenciosa lol
    Beijos

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  5. Como eu te compreendo!
    Quanto à forma de lidar com a tua mãe, quem sou eu para falar… eu entendo-me muito melhor com a minha quando nao estamos debaixo do mesmo tecto!! E é tão melhor, sem discussões, sem conversas de “onde, como e quando”… ah como eu quero sair de casa. Sei que provavelmente vou sentir saudades de ter a casa com mais gente, ou até mesmo de alguns confortos, mas nada como termos o nosso cantinho (só nosso) e a nossa independência.
    Espero que consigas uma casinha para ti 🙂
    Beijinho**

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  6. Ei querida! nossa casinha é o nossso cantinho. é o lugar onde todas as nossas coisas estào no lugar e da maneira que queremos. Mas é preciso saber compartilhar.
    Boa semana e um beijo, Zí

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  7. Guidinha, eu e a minha mãe entendemo-nos e realmente isso é o que interessa.

    Farruskinha, pois estas exactamente na mesma situação que eu.

    Daniela, é isso mesmo que se passa comigo, mas não deve faltar muito para ter a minha casinha.

    Su, não estou minimamente preocupada com o que os outros pensam mas fico zangada com certos comentários que me dão e claro que depois dou respostas tortas.

    Caminhante, também acho que é natural que assim aconteça.

    La Poupée, eu também espero que arranjes uma casinha já que partilhas do mesmo desejo que eu, sair de casa.

    Zi, claro que é preciso partilhar mas estou desejosa de ter o meu espacinho.

    Beijinhos.

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