Dia a Dia

Sabotagem

Quando começamos a tentar simplificar, minimizar e destralhar, estamos constantemente a ser sabotados emocionalmente. É inevitável sentirmos que temos ligações às coisas: é porque alguém deu, porque sempre tive, porque posso precisar, porque foi caro, etc, etc, etc. 
Todos estes pensamentos tornam difícil desfazermo-nos das coisas ou não termos algum remorso quando o fazemos.

Quando finalmente nos conseguimos desfazer destes pensamentos e passar à frente, sofremos outro tipo de sabotagem que para mim é a pior. Com os meus pensamentos e os meus sentimentos eu sei lidar lindamente, com a pressão que os “outros” exercem é que não…
Sem ser aqui no blog pouco falo neste meu interesse em simplificar, sinto que algumas pessoas não percebem o porquê disto. Acho que na ideia de algumas pessoas é: ” Porque é que ela se está a tentar privar das coisas que pode ter?”
A minha família não é nada como eu. Eu gosto de me vestir bem, de me arranjar e de me sentir bem em minha casa, mas compro pouca coisa. 
A minha irmã adora roupa e compra, compra, compra, o que no fim acaba por me dar jeito pois mais tarde ou mais cedo a maioria das coisas que ela não usa vêm para mim, mas eu estou sempre a juntar sacos de coisas que não quero para dar. Já a minha mãe cada vez que vem cá a casa passa o tempo a dizer: “Falta ali um móvel naquela parede”, “A sala está muito vazia”, “Sabes o que ficava mesmo bem ali?”, etc… Sei que não o fazem por mal e quando lhes digo, não quero, não preciso, não me faz falta, não dizem mais nada e respeitam o que eu digo (a minha mãe às vezes insiste mas acaba por parar)…
Colegas ou conhecidos a quem tento contar o que faço olham para mim como se eu fosse louca. A maioria sorri com ar de “isso não vai resultar”, mas o que me irrita mesmo são as mães (que acham que têm um conhecimento maior que o teu só porque tu não tens filhos) que dizem SEMPRE “espera até teres filhos e depois vais ver que te deixas dessas coisas.”, “quando tiveres um filho depois logo me dizes se tens tudo organizado” e “eu quero ver com filhos atrás se vais ter tempo para tudo”. 
É verdade que não tenho filhos, e claro que as mães sabem melhor como funciona uma casa com uma criança do que eu, mas acho que é precisamente o contrário, eu tenho rotinas e hábitos na minha vida que quero que os meus filhos também tenham. E se eu agora acho importante ter este tipo de sistema mais importante vai ser quando tiver filhos, com crianças em casa as coisas devem ter um ritmo para funcionar ainda melhor. Não digo que seja fácil (não deve ser mesmo nada fácil) mas esta atitude derrotista do “nem adianta tentares” deixa-me completamente desiludida com a sociedade em que vivo e com as pessoas que conheço. Quando a atitude é esta eu limito-me a sorrir, ignorar e seguir viagem.

Se houve uma ou duas pessoas que mostraram um bocadinho de interesse foi muito e mesmo essas pessoas depressa se desinteressaram. Por isso, deixei de falar no assunto. 
Falo em casa com o A. porque ele ouve sempre o que eu tenho a dizer e falo aqui no blog. Aqui nunca ninguém me disse “txi, que trabalhão, deixa-te disso…” aqui sinto que mesmo quem não tem as mesmas ideias dá a opinião que tem a dar mas respeita o que eu sinto e o que eu tento fazer sem desmoralizar e deitar para baixo. É o que eu gosto no blog, independentemente da ideia que surja há sempre alguém que diz “Boa, vai em frente, tenta”.

Sabe bem… 🙂

Te
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5 thoughts on “Sabotagem

  1. Li o teu post e parei aqui para te deixar um “boa, vai em frente”. Sou mãe e, embora dê mais trabalho, porque são mais pessoas em casa, outras responsabilidades, etc, continua a ser possível simplificar. Basta querer! Portanto, quem te disse que não… está enganado. Eu consigo e por acaso até nem tenho a vida facilitada nem tenho ajudas de terceiros. Força!

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  2. Obrigado pela força e pelo testemunho. És mãe e consegues porque é que outras mães não conseguem? Eu acho que algumas pessoas nem se dão ao trabalho de tentar e depois são desmancha prazeres para quem tenta.

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  3. Força nisso. Ainda estou a descobrir o teu blog…mas revi-me tanto neste post que não pude deixar de deixar (desculpa a redundância) uma mensagem de força!
    Eu continuo na luta pelo “destralhamento e simplificação”. Em casa “os meus dois homens” tb não me compreendem muito bem,mas lá me vão deixando fazer as coisas à minha maneira…:P
    ***=)

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  4. Olá!
    Ainda estou a conhecer o teu blog, mas identifiquei-me tanto com este blog que não podia deixar de deixar aqui uma mensagem de força (passo a redundância).
    Em casa “os meus dois homens” também não me compreendem a 100%, mas la me vão deixando “com as minhas manias” de destralhamento e simplificação. 😛
    ***=)
    Força nisso!

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  5. Ohhh, desde já muitoooo obrigado pelas palavrinhas tão simpaticas. É bom saber que há quem se identifique conosco e que tenha as mesmas ideias que nós.

    Força também para ti nesta viagem do destralhamento e pode ser que um dia os teus homens se inspirem e sigam o teu exemplo. 🙂

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