Maternidade

Primeiros meses da Eva

O nascimento de um bebé trás muito trabalho e com ele muitas dificuldades: o acordar a meio da noite, o lidar com o choro, o não ter tempo para nada, lidar com as duvidas, a hora da alimentação da bebé, os OUTROS a dar palpites e a intrometerem-se em tudo o que fazemos, ter um ser completamente dependente de mim, lidar com o medo de errar, etc, etc, etc.


Ter a Eva foi um acontecimento que mexeu muito comigo pois, fora todos os aspectos anteriores, tenho ainda de lidar com a minha cabeça (que já normalmente é mais complicada que as outras, quanto mais com as hormonas todas alteradas), por um lado estou radiante e a explodir de alegria e amor por ter a Eva comigo, mas por outro lado tenho saudades da vida como a conhecia antes, foi difícil aceitar que a vida mudou.

Parece que quando finalmente me começava a habituar a ser uma grávida, e a aceitar as coisas que vêm com isso, tudo mudou outra vez e tenho novamente uma nova realidade para me habituar.

Não me sinto eu mesma, acho que no processo todo me perdi e perdi um pouco da pessoa que era. Estou muito mais chorosa, muito mais ansiosa, muito mais nervosa, estou feliz e a seguir estou com uma tristeza que não consigo explicar e que tento afastar depressa para ninguém perceber, tenho de lidar com um corpo que não é o meu e ainda por cima, sou uma pessoa controladora em tudo o que faço e sei que tenho um problema quando as coisas me fogem e eu não as consigo controlar, então agora, se é algo relacionado com a Eva que foge ao meu controlo dou em louca, é ridículo o estado de aflição, nervosismo e irritação com que fico, tenho de parar e respirar vezes sem conta para me conseguir acalmar.

Agora compreendo o porquê das depressões pós parto, algo que não percebia pois supostamente é um momento feliz, mas não é só um momento feliz, é também uma altura complicada na vida de uma mulher e há uma grande pressão por parte da sociedade para sermos mulheres maravilha, temos de ser boas mães, manter a casa impecável, ser boas profissionais e continuarmos a ser lindas, senão somos umas desleixadas. As pessoas deviam colocar a mão na consciência e ter cuidado com o que fazem e dizem a uma recém-mamã, eu acredito que muitas depressões começam por as pessoas que rodeiam a mãe serem insensíveis, desumanas e inconvenientes.

Mas enquanto eu estou uma desarrumação total por dentro, ainda existe uma bebé linda de dois meses a crescer e que muda e faz coisas novas a cada dia que passa. A Eva está a crescer depressa demais, as roupas já começam a ficar pequenas, já ri muito, observa com muita atenção tudo ao seu redor, palra muito e cada dia que passa interage mais comigo. Não há nada melhor que vê-la descobrir o mundo e as reacções que vai tendo.

Já nos conhecemos muito bem, ela conhece a minha voz, o meu colo e as macacadas que faço para a ver rir, e eu, por incrível que pareça, conheço cada choro dela e sei o que significam. Há sempre uma sesta do dia que fazemos juntas, abraçadas, ela encostada a mim e eu com os braços ao redor do corpinho dela como se ainda a tivesse protegida dentro de mim. É o ponto alto do nosso dia, ela dorme e sorri e eu fico só a olhar para ela a vê-la ser feliz.  

Amo cada momento passado com ela. 🙂

Telma Anágua

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3 thoughts on “Primeiros meses da Eva

  1. Não te consigo ajudar pois nunca passei por isso, mas penso que é normal.
    Principalmente por ser o 1º bebe.
    Nunca tive nenhum, mas já lidei tanto com grávidas como com bebés e é mesmo normal o que sentes.
    Tens também que te habituar a ela e ela a ti.
    Com o tempo e calma tudo se consegue.
    Não é vergonha nenhuma não saberes, esqueceres, teres que apontar.
    Pergunta, aponta, informa-te =)

    Beijocas

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  2. Parabéns em primeiro lugar por este novo caminho!! E parabéns pela lucidez e coragem. Lucidez, pois apesar de a tua cabeça estar uma complicação, como dizes, está bem lúcida, pois consegues reconhecê-lo, e isso é muito importante para te conseguires manter firme. E coragem porque não é toda a gente que é capaz de partilhar a dura realidade da maternidade, que é linda, sim mas não é fácil. Um bjnho para as duas =)

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  3. Como é tão verdade o que escreveste… por vezes quando mais precisamos que nos apoiem mais parece que quem nos rodeia deseja que falhemos… ânimo que isso passa, nem que seja daqui a 3 ou mais anos quando resolveres mandar os opinadores à m…. 🙂 Beijinhos

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